10 novembro 2005

searas

semeei uma palavra aqui,
outra,
mais ali,
outra ainda,
quase além…

vou demorar-me no tempo
como quem espera um nada…
serão árvores?
flores?
cores?
sentires?
conjugações do Amar?
vou ficar, não vá uma delas crescer longe do meu olhar…

09 novembro 2005

finjo-Me, a mim...de SER!

Não queria deixar apagar a vida, como quem extingue um cigarro, absorto no nada, sem visão de mim. Incompleto. Mas,
vezes há, que nos extinguimos na solidão de uma bruma espessa…
Só oiço o mar, que me chama,
sem chama,
na ilusão do estar aqui…
Desenho um círculo com um tamanho,
só,
sem dimensão…
Estou , numa ausência irritante de me querer num Eu que já não sou…
e
finjo,
finjo-me,
cores como quem dissimula vida nesta noite-quase-escura, que me tolda a visão,
e
finjo
finjo-me,
passos,
caminhos,
empurrado pelo querer de ser onda,
de ser pássaro
e
vivo-Me no delírio de SER!

08 novembro 2005

noite de bruma

escrevo a noite,
com a intensidade suave,
de um beijo,
voado no vento…

beijo-ilha,
navegante…

escrevo
a
noite, ( neste barco sem quilha... )
em desenho-lua,
minguante,
reflexo de onda,
do teu mar
cintilante…

barco de silhueta-nua,
poema sem letra,
nem musica,
nesta noite-escura,
intrigante…

beijo-sopro
que voa à vela,
na névoa,
na bruma,
neste barco-feiticeiro,
nesta Falua,
que bolina num Tejo,
fantasma
que já não vejo
neste teu beijo
que desceu à rua ...

07 novembro 2005

esculpir, em cores várias...um quadro, quase sem letras

Esculpi uma árvore sem linha de horizonte e salpiquei-a de borboletas…

nota1: texto curto, é verdade, mas deve ler-se com fundo azul. Claro no cimo (quase dia) , escuro no baixo ( quase noite); a árvore, um imbondeiro-sem-tempo ( como a África-Inteira); as borboletas…muitas, com cores de tamanhos vários; as raízes…TODAS!...cor de sangue, a pingar gotas de terra ...
nota 2: permite-se variantes para o fundo…cor-de-fogo-no-fim-de-tarde-dos-trópicos, e leituras outras, mas essas já não me pertencem, mas maravilham-me na mesma…

06 novembro 2005

partir, à procura...

vou descobrir a palavra com que se escreve a cor-que-tem-o-olhar...
não olhar qualquer, esse tem palavras gastas, usasdas, desusadas, mas os olhares-do-antes-da-lágrima...
ah! esse, deus-meu, é palavra que ainda não sei!

04 novembro 2005

corridas

passou por mim uma memória, a brincar, toda divertida. tinha aroma de flor e olhar cor-de-fantasia. corria em risos soltos. loucos. quase menina. linda. a bailar dentro de mim. quase magia…

não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...