Tenho os olhos húmidos-de-sonhos,
que não escrevo,
que não sei…
mas,
quando
se
formam
l
á
g
r
i
m
a
s,
esculpidas em queda-de-mil-cores,
escrevo,
o que não vivi
na
história escondida no reflexo-do-sonho
que
andou perdida dentro de mim…
22 novembro 2005
21 novembro 2005
tempo(s)
quantos anos passaram?
quantos acasos?
poucos?
nadas?
uma Flor não se pinta num único instante, tem todo o peso do Universo,
e
o Tempo Dele , é magia que não desenho!
quantos acasos?
poucos?
nadas?
uma Flor não se pinta num único instante, tem todo o peso do Universo,
e
o Tempo Dele , é magia que não desenho!
17 novembro 2005
resistir
resisto
sem sentir
em revolta surda,
amordaçada…
resisto
cansado
das palavras que se transformam
em reflexos que não pintei...
resisto
de ser palavras
que não sei…
mas,
não desisto
de ser palavra alada
porque só me sei vento
que abraça sentimento…
sem sentir
em revolta surda,
amordaçada…
resisto
cansado
das palavras que se transformam
em reflexos que não pintei...
resisto
de ser palavras
que não sei…
mas,
não desisto
de ser palavra alada
porque só me sei vento
que abraça sentimento…
16 novembro 2005
15 novembro 2005
sem espaço
no espaço-minúsculo em que me habito,
dança um verso,
sem poema,
habitáculo-do-sonho…
castelos-no-ar…
grito-de-borboleta-em-olhos-de-menino…
flor-em-desenho-insano…
gira-sol-do-mar…
voo-de-homem-pássaro-sem-destino,
coisas outras,
tantas
que sinto…
fosse eu mais minúsculo ainda
e não me cabia…
mas não importa
porque importaria?
se a flor não cabe na terra…
se o sonho não cabe em mim…
ah…ser ínfimo assim
e
quase ser universo,
é ser gota de sal
num mar sem fim…
dança um verso,
sem poema,
habitáculo-do-sonho…
castelos-no-ar…
grito-de-borboleta-em-olhos-de-menino…
flor-em-desenho-insano…
gira-sol-do-mar…
voo-de-homem-pássaro-sem-destino,
coisas outras,
tantas
que sinto…
fosse eu mais minúsculo ainda
e não me cabia…
mas não importa
porque importaria?
se a flor não cabe na terra…
se o sonho não cabe em mim…
ah…ser ínfimo assim
e
quase ser universo,
é ser gota de sal
num mar sem fim…
14 novembro 2005
cair na planura
dobrei a esquina-do-vento
e des-nasci-Me num imenso azul,
tal águia-solitária
leve
na
Solidão-da-planura
e
deslizei
no
Sentir…
no
Apenas…
no
Existir…
e des-nasci-Me num imenso azul,
tal águia-solitária
leve
na
Solidão-da-planura
e
deslizei
no
Sentir…
no
Apenas…
no
Existir…
12 novembro 2005
cegueira de um eu que não fugiu
Não te quero ver,
nem sentir,
enquanto fores só,
assim,
animal selvagem,
dentro de mim…
nem sentir,
enquanto fores só,
assim,
animal selvagem,
dentro de mim…
10 novembro 2005
searas
semeei uma palavra aqui,
outra,
mais ali,
outra ainda,
quase além…
vou demorar-me no tempo
como quem espera um nada…
serão árvores?
flores?
cores?
sentires?
conjugações do Amar?
vou ficar, não vá uma delas crescer longe do meu olhar…
outra,
mais ali,
outra ainda,
quase além…
vou demorar-me no tempo
como quem espera um nada…
serão árvores?
flores?
cores?
sentires?
conjugações do Amar?
vou ficar, não vá uma delas crescer longe do meu olhar…
09 novembro 2005
finjo-Me, a mim...de SER!
Não queria deixar apagar a vida, como quem extingue um cigarro, absorto no nada, sem visão de mim. Incompleto. Mas,
vezes há, que nos extinguimos na solidão de uma bruma espessa…
Só oiço o mar, que me chama,
sem chama,
na ilusão do estar aqui…
Desenho um círculo com um tamanho,
só,
sem dimensão…
Estou , numa ausência irritante de me querer num Eu que já não sou…
e
finjo,
finjo-me,
cores como quem dissimula vida nesta noite-quase-escura, que me tolda a visão,
e
finjo
finjo-me,
passos,
caminhos,
empurrado pelo querer de ser onda,
de ser pássaro
e
vivo-Me no delírio de SER!
vezes há, que nos extinguimos na solidão de uma bruma espessa…
Só oiço o mar, que me chama,
sem chama,
na ilusão do estar aqui…
Desenho um círculo com um tamanho,
só,
sem dimensão…
Estou , numa ausência irritante de me querer num Eu que já não sou…
e
finjo,
finjo-me,
cores como quem dissimula vida nesta noite-quase-escura, que me tolda a visão,
e
finjo
finjo-me,
passos,
caminhos,
empurrado pelo querer de ser onda,
de ser pássaro
e
vivo-Me no delírio de SER!
08 novembro 2005
noite de bruma
escrevo a noite,
com a intensidade suave,
de um beijo,
voado no vento…
beijo-ilha,
navegante…
escrevo
a
noite, ( neste barco sem quilha... )
em desenho-lua,
minguante,
reflexo de onda,
do teu mar
cintilante…
barco de silhueta-nua,
poema sem letra,
nem musica,
nesta noite-escura,
intrigante…
beijo-sopro
que voa à vela,
na névoa,
na bruma,
neste barco-feiticeiro,
nesta Falua,
que bolina num Tejo,
fantasma
que já não vejo
neste teu beijo
que desceu à rua ...
com a intensidade suave,
de um beijo,
voado no vento…
beijo-ilha,
navegante…
escrevo
a
noite, ( neste barco sem quilha... )
em desenho-lua,
minguante,
reflexo de onda,
do teu mar
cintilante…
barco de silhueta-nua,
poema sem letra,
nem musica,
nesta noite-escura,
intrigante…
beijo-sopro
que voa à vela,
na névoa,
na bruma,
neste barco-feiticeiro,
nesta Falua,
que bolina num Tejo,
fantasma
que já não vejo
neste teu beijo
que desceu à rua ...
07 novembro 2005
esculpir, em cores várias...um quadro, quase sem letras
Esculpi uma árvore sem linha de horizonte e salpiquei-a de borboletas…
nota1: texto curto, é verdade, mas deve ler-se com fundo azul. Claro no cimo (quase dia) , escuro no baixo ( quase noite); a árvore, um imbondeiro-sem-tempo ( como a África-Inteira); as borboletas…muitas, com cores de tamanhos vários; as raízes…TODAS!...cor de sangue, a pingar gotas de terra ...
nota 2: permite-se variantes para o fundo…cor-de-fogo-no-fim-de-tarde-dos-trópicos, e leituras outras, mas essas já não me pertencem, mas maravilham-me na mesma…
nota1: texto curto, é verdade, mas deve ler-se com fundo azul. Claro no cimo (quase dia) , escuro no baixo ( quase noite); a árvore, um imbondeiro-sem-tempo ( como a África-Inteira); as borboletas…muitas, com cores de tamanhos vários; as raízes…TODAS!...cor de sangue, a pingar gotas de terra ...
nota 2: permite-se variantes para o fundo…cor-de-fogo-no-fim-de-tarde-dos-trópicos, e leituras outras, mas essas já não me pertencem, mas maravilham-me na mesma…
06 novembro 2005
partir, à procura...
vou descobrir a palavra com que se escreve a cor-que-tem-o-olhar...
não olhar qualquer, esse tem palavras gastas, usasdas, desusadas, mas os olhares-do-antes-da-lágrima...
ah! esse, deus-meu, é palavra que ainda não sei!
não olhar qualquer, esse tem palavras gastas, usasdas, desusadas, mas os olhares-do-antes-da-lágrima...
ah! esse, deus-meu, é palavra que ainda não sei!
04 novembro 2005
corridas
passou por mim uma memória, a brincar, toda divertida. tinha aroma de flor e olhar cor-de-fantasia. corria em risos soltos. loucos. quase menina. linda. a bailar dentro de mim. quase magia…
03 novembro 2005
02 novembro 2005
dimensões do Ver
Papá, papá empresta-me os teus olhos , para te ver Todo…
Não, meu filho, não te vou emprestar o meu olhar, se o fizer, morro no teu Ver…
Está bem papá, mas olha, vou-te desenhar assim tal qual,
Grande!
Gigante!
Vou desenhar-te, na imaginação, sem papel, só assim cabes inteiro no meu olhar…
Não, meu filho, não te vou emprestar o meu olhar, se o fizer, morro no teu Ver…
Está bem papá, mas olha, vou-te desenhar assim tal qual,
Grande!
Gigante!
Vou desenhar-te, na imaginação, sem papel, só assim cabes inteiro no meu olhar…
01 novembro 2005
misturas
trago a noite nos lábios. nos teus. passeio no destempo o desenho do teu dançar misturado num beijo. no nosso
31 outubro 2005
o nosso nome
Há ventos sem voz que nos levam o nome,
e
cores que nos trazem outros, como se o nome fosse a nossa História.
Não queria entrar em equívocos com as histórias sem rosto nem voz.
Não é o meu gosto, mas a nossa história ainda não existe no nosso nome!
Eu,
ando sempre sem nome-concluído, porque o meu nome transmuta-se no olhar de cada um…
Divirto-me com todas as histórias que escrevem no meu nome, tão diferentes são do meu sentir…
Eu sou,
todos os nomes que me inventam, mesmo que sejam história de mentir…
Por isso,
querem todos, saber sempre o nosso nome, para nos criarem um existir…
E nós,
por mais que desenhemos a nossa própria sombra, somos sempre nós, mais todos aqueles que se pintaram no nosso nome porque passamos a existir disformes em cada um que se esquece de olhar a alma que dá caminho à nossa própria história…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como devemos saber coexistir com todos os eus que nos inventam, com a certeza de sermos sempre só um, e que a imagem que nos desenham no nome , é apenas isso, um desenho da imagem…
e
cores que nos trazem outros, como se o nome fosse a nossa História.
Não queria entrar em equívocos com as histórias sem rosto nem voz.
Não é o meu gosto, mas a nossa história ainda não existe no nosso nome!
Eu,
ando sempre sem nome-concluído, porque o meu nome transmuta-se no olhar de cada um…
Divirto-me com todas as histórias que escrevem no meu nome, tão diferentes são do meu sentir…
Eu sou,
todos os nomes que me inventam, mesmo que sejam história de mentir…
Por isso,
querem todos, saber sempre o nosso nome, para nos criarem um existir…
E nós,
por mais que desenhemos a nossa própria sombra, somos sempre nós, mais todos aqueles que se pintaram no nosso nome porque passamos a existir disformes em cada um que se esquece de olhar a alma que dá caminho à nossa própria história…
In “ Apontamentos para um manual da serenidade” ou como devemos saber coexistir com todos os eus que nos inventam, com a certeza de sermos sempre só um, e que a imagem que nos desenham no nome , é apenas isso, um desenho da imagem…
28 outubro 2005
perseguições
persegue-me um som de mar em tons de violino,
em forma de asa,
quase anjo.
mergulha-me afectos escondidos num búzio ,
sopra-me sonhos,
esperanças,
e
deixo-me inundar nas ondas,
nas asas,
brancas
e
sinto,
o pedaço ínfimo do universo
que sou,
gota de um nada
que vê
onde não estou...
sigo-o
vou,
(sede vital,
esta coisa de ir),
sempre,
em continuo
em fragmento,
em número,
zero ou um
(ah! só há dois números no universo,
e só um se soma,
todos tem verso
e reverso
mas só eu não me encontro em nenhum,
perdido no espelho)…
sou o desenho,
de gaivota
que plana,
azul,
que sente o instante de ser,
apenas,
ponto sem distancia,
sem corpo,
nem luz ou chama...
(ah! ser simplesmente o acaso,
ser intersecção do destino,
e ser assim inteiro,
ar
vento
poema
vida,
é mais que desenho
é coisa quase nada,
quase tudo,
paraíso
que
canta,
e embala
como os olhos de menino
que desenha uma flor,
uma estrela,
com as cores de um sorriso),
persegue-me um som de mar em sons de violino...
em forma de asa,
quase anjo.
mergulha-me afectos escondidos num búzio ,
sopra-me sonhos,
esperanças,
e
deixo-me inundar nas ondas,
nas asas,
brancas
e
sinto,
o pedaço ínfimo do universo
que sou,
gota de um nada
que vê
onde não estou...
sigo-o
vou,
(sede vital,
esta coisa de ir),
sempre,
em continuo
em fragmento,
em número,
zero ou um
(ah! só há dois números no universo,
e só um se soma,
todos tem verso
e reverso
mas só eu não me encontro em nenhum,
perdido no espelho)…
sou o desenho,
de gaivota
que plana,
azul,
que sente o instante de ser,
apenas,
ponto sem distancia,
sem corpo,
nem luz ou chama...
(ah! ser simplesmente o acaso,
ser intersecção do destino,
e ser assim inteiro,
ar
vento
poema
vida,
é mais que desenho
é coisa quase nada,
quase tudo,
paraíso
que
canta,
e embala
como os olhos de menino
que desenha uma flor,
uma estrela,
com as cores de um sorriso),
persegue-me um som de mar em sons de violino...
27 outubro 2005
as outras cores
Papá, papá, diz-me, porque vejo esta flor azul, e todos a chamam de cores outras?
É azul a minha flor? É não é, papá? Diz-me! Diz-me! Gosto tanto dela assim, azul…
Para ti será sempre, a tua flor-azul, foi assim que ela te nasceu no olhar…
Cada um de nós tem o seu olhar, o seu reflexo, a sua cor, para cada uma das coisas que abraçam o Ver…
Que bom papá! Assim tenho sempre coisas novas para aprender…Diz-me papá, diz-me, como é a cor da tua flor?
É azul a minha flor? É não é, papá? Diz-me! Diz-me! Gosto tanto dela assim, azul…
Para ti será sempre, a tua flor-azul, foi assim que ela te nasceu no olhar…
Cada um de nós tem o seu olhar, o seu reflexo, a sua cor, para cada uma das coisas que abraçam o Ver…
Que bom papá! Assim tenho sempre coisas novas para aprender…Diz-me papá, diz-me, como é a cor da tua flor?
26 outubro 2005
mutações
transformo-me!
sinto-o!
em raízes,
fundas,
de terra,
como quem agarra a queda,
de mãos fechadas,
apertadas…
ah…fosse eu apenas folha-de-árvore,
não ficava,
largava tudo
e
era nada…
sinto-o!
em raízes,
fundas,
de terra,
como quem agarra a queda,
de mãos fechadas,
apertadas…
ah…fosse eu apenas folha-de-árvore,
não ficava,
largava tudo
e
era nada…
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não uso tempos, nem agendas ou instrumentos outros que meçam pedaços do existir. é jeito meu. por isso passar de um ano para o outro é cousa...
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